Arte e Educação na Pedra

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03 dezembro, 2018

Andar nos corredores de cada unidade da Escola Pedra da Gávea é como adentrar uma exposição, na qual há explosões de cores, variedade de assuntos abordados e diversidade de materiais usados em muitas obras de arte expostas pela escola. Os artistas? Cada aluno da Pedra que, através de olhares sensíveis, mentes criativas e um currículo pedagógico que inclui linguagens múltiplas, ou seja,  fotografia, cinema, artes plásticas, música e corpo, como um dos pilares da escola, se tornam pintores, escultores, escritores, dançarinos, atletas e etc. A coordenadora de artes e professora da Educação Infantil e Ensino Fundamental, Bárbara Assis, que foge ao estereótipo clássico da professora de artes, acredita que na educação infantil tudo passa pela linguagem plástica, inclusive o aprendizado da matemática, da ciência, da língua e da música.


Bárbara, que se formou em Licenciatura e Artes Plásticas, cresceu em um ambiente muito artístico desde pequena e, apesar de ter negado essa habilidade durante parte de sua vida, tinha um encantamento grande por museus e se reconectou com a estética quando trabalhou como vitrinista. Na faculdade, entendeu que a arte e educação infantil não caminhavam juntos como ela achava que deveriam e, por isso, direcionou sua formação nesse sentido. Esse movimento de aproximação também estava acontecendo no Brasil, que começava a trazer para os museus a importância da presença da criança através da construção de espaços específicos para elas.


“Não existe na Pedra uma aula de artes, é quase uma escola de artes”, afirma Bárbara, que trabalha há 13 anos na instituição e construíu junto com a equipe pedagógica um conceito estético próprio da escola, no qual camisa machada é reflexo de ação, liberdade e experiência. A comunhão entre o pedagógico e as linguagem artísticas, para ela, é a grande diferença entre as aulas de artes de escolas tradicionais e da arte na Escola Pedra da Gávea.


“Nas escolas tradicionais, a arte é uma disciplina muito solitária e isolada e, quando não é solitária, está sempre a favor de alguma coisa, seja para fazer orelhas de coelhinho, presente para o Dia das Mães ou para o Dia dos Pais. As pessoas ficam tão presas ao conteúdo, em nomear esses conteúdos, em dar aulas teóricas. Além disso, a aula de artes é vista como um momento de lazer ligado ao ‘não fazer nada’, e não o lazer do ócio criativo”, afirma.


Na Pedra, ela conta, as crianças vão absorvendo esses conteúdos na prática do fazer, é um trabalho de sensibilidade e reflexão constante. Bárbara acredita que é preciso e imprescindível ter diferentes narrativas sobre todos os aprendizados e, por isso, o casamento com o pedagógico é fundamental. Uma ida a um museu precisa ser entendida como um momento de reflexão sobre as artes, mas também sobre a história, sobre a ciência e, a partir disso, a criança pode construir um pensamento próprio sobre qualquer assunto.


No 3º ano, Bárbara precisa negociar com seus alunos o programa do semestre, de quatro aulas por mês, ela compartilha, duas são de escolha livre das crianças. Além disso, cada proposta de trabalho e produção precisa estar aberta para incorporar o olhar da criança. “Tem crianças que repetem o que eu fiz, igualzinho, e ficam felizes, e tem outras que não, que pegam um rolo maior ou emendam dois rolos. Porque não  permitir que, em cima da nossa proposta, o aluno dê seu parecer?”, disse ao falar sobre um trabalho que estavam desenvolvendo para o Natal Solidário.


Na Pedra da Gávea, há uma valorização da arte pela coordenação, pelos professores, pelos alunos e, dessa forma, pelos próprios pais. Essa valorização transforma a visão que se tem da arte e potencializa ela. As paredes, os corredores, os murais, a identidade visual e a comunicação da escola são construindo junto às crianças para que elas se sintam parte daquele espaço.


“Eu venho de uma educação tradicional. Eu sempre fui boa aluna e nunca tive nenhum problema, mas eu achava a escola um lugar chato. Minha preocupação é que meu aluno se aproprie desse espaço, ele precisa se sentir dono daquele lugar. Eu posso chegar no mural e escreveu com a minha letra o que eu quiser, mas eu não sei se a minha letra vai trazer nele o desejo da leitura. Eu tenho certeza que quando a letrinha do 3º ano estiver lá, o 1º ano vai passar e pensar ‘Pode ser que eu consiga fazer isso’ ou ‘Quando eu tiver no 3º ano, eu vou estar escrevendo desse jeito’. Eu acho que a criança tem que se sentir parte dessa narrativa e sentir dona desse espaço. Ela precisa se sentir valorizada, ela não é um artista, mas aqui se valoriza e respeita a produção dela, seja escrita ou plástica”, completa.

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